…criança outra vez.
Monday, September 13th, 2004Hoje saí de casa. Já não estava habituado, as coisas moviam-se sozinhas mesmo quando eu estava parado.
Recordei que as pessoas não só têm cor e som, também têm cheiro.
Encontrei um vagabundo (o único dos homens livres), tinha cor, som e cheiro, e tinha um relógio, um relógio com um botão.
Tags: thinks

September 13th, 2004 at 6:29 pm
:) :) :)
September 14th, 2004 at 3:23 pm
Um relógio! Um relógio com um botão! Essas máquinas infernais de medir o tempo.
Estas “pequenitas” máquinas, com ou sem botões,de plástico ou de ouro,mais precisos ou mais anarquicos, com ou sem marca, são os objectos que mais escravizam e castra qualquer ser, pode-se mesmo arriscar, que são um dos simbolos da escravatura dos tempos actuais.
Só o facto de medir o tempo, já é complicado. Depois propõe-se medir uma coisa que a máquina mais perfeita não consegue. Mesmo tendo-se inventado um tempo próprio para essa máquina medir, nem esse tempo consegue medir com precisão absoluta. O Outro, o tempo real, esse é incomensuravel, é o Universo no seu movimento perpetuo,incomensuravel, é o “relógio dos vagabundos” ou melhor, o tempo pára, para os vagabundos passem, no seu tempo.
Os vagabundos abominam os relógios…qualquer que seja, mas adoram as cores, os cheiros e os sons. As crianças, como candidatos a escravos, que são, naturalmente, adoram os relógios, mas é preciso ensinar-lhes o nome das cores, a ouvir e distinguir os sons e a sentir os cheiros.
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September 16th, 2004 at 6:34 pm
Vagabunda no sangue e no olhar, transpira aromas de mel, limão e semi-verdades. O relógio pesa-lhe no corpo, solta-lhe os sentidos e fá-la voar para além de todos os telhados.
Poisar é condição efémera.
Acontece às vezes, pela noite dentro, quando o ciclo (quase) se completa e o silêncio se confunde com doçura, que a vagabunda resolve adormecer … para logo acordar, não fosse o nome do sono traição.
Um dia resolveu dividir-se em dois e entrou em diálogo.