TheGoldenAura

Clockwork press

Clockwork is a collective composed of Hugo Lima, Carlos Lobo, Pedro Simões, João Santos and Pedro Monteiro.

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Guitarras Narcóticas Rumo à Hipnose

Cristiano Pereira – 10 Janeiro 2000 – JORNAL DE NOTÍCIAS

Este trabalho dos Clockwork reúne atributos suficientes para irritar aquele tipo de indivíduos que idolatram os virtuosos das guitarras e aqueles enfadonhos solos intermináveis em acrobacias de dedos no dito instrumento. O que não é mau. Se existe coisa realmente maçadora é ter que aturar com meia dúzia de cabeludos virtuosos, daqueles que quando se apanham com uma guitarra nas mãos optam por enveredar em sessões de exibicionismo prolongado num processo de vaidosismo regido pela máxima do “quanto mais difícil, melhor”. Não deixa de ser curioso constatar que, perante essas atitudes, na plateia, os adeptos de semelhantes ostentações (que, curiosamente, costumam também ser guitarristas) assimilam o delírio masturbatório das seis cordas enquanto fingem tocar uma guitarra invisível. Não há, portanto, paciência para solos de guitarras desde que Hendrix nos deixou.

Com produção de Rafael Toral, o novo disco dos Clockwork é um disco onde as guitarras assumem especial importância. Só que a forma como são abordadas vai contra à ideia acima referida. Dos rasgos de minimalismo e do recurso à repetição dos mesmo padrões, este disco corre o risco de ser considerado monótono e fastidioso. Mas não. Bem espremido e ouvido com auscultadores, o que se destila é um irrecusável convite ao hipnotismo. Se aqui existe um denominador comum, só poderá ser este: a repetição. O que os Clockwork nos apresentam é uma sucessão de temas onde o fio condutor paira numa reduplicação das mesmas notas em cada esqueleto sonoro.

As influências são óbvias e assumidas sem problemas. O estigma dos Spacemen 3 é evidente em “Exp O”, uma saga de onze minutos com guitarras num cruzamento circular que se consome até à exaustão. Menos insistente no pendor hipnóticos está “Little stars build up”, uma peça onde colidem brisas pasmadas com crescendos agitados típicos de uns discípulos de Sonic Youth. Com “Picollo”, “Nova 2′ e “I became a cloud” regressa-se ao tapete ondulante de guitarras insistentes que se nos assaltam os sentidos graças a uma certo pendor narcótico que debita magnetismos rumo a uma alteração de estado de espirito. Contra os solos de guitarras, marchar, marchar.

A Hora dos Infantes

António Sérgio

… há que assinalar a saída dum novo CLOCKWORK, composto por 8 temas com produção de Rafael Toral, 8 vincadas e assumidas negações do formato “canção”, antes desafios à sensibilidade (e porque não paciência) do auditor. O convite dos Clockwork é desde o início de Exp#O uma clara chamada ao ouvinte para que puxe pelos sentidos e os tente apurar, um apelo a que como auditores de música nos tornemos gente maior em sensibilidade e abertura. Nunca como neste CD homónimo dos Clockwork a musicalidade feita em Portugal chegou tão perto (e não desdenharíamos dizer mais longe) que algumas das gloriosas explorações sónicas habitualmente feitas sob a égide das editoras americanas -K- e Kranky-, onde pululam projectos como Storm and Stress, Doldrums, Jeremy Boyle ou Philosopher’s Stone. Assinale-se também neste clima de nota muito positiva a capa notável e todo o layout.

Festival Low-Fly – Os Amplificadores ao Serviço do Proletariado

Jorge Manuel Lopes

Através do qual se dó a conhecer um agrupamento intitulado Clockwork, um quarteto virtual de música de papel de parede, quando a parede é decorada sem papel mas à força de golpes de navalha, pistolas de tinto púrpura e rajadas de metralhadora lenta. A primeira interferência oriunda do palco-buraco negro consiste de uma melodia de um qualquer objecto electrónico miniaturizado, da vastidão de frechas para sistemas telefónicos no modalidade «serviço de espera». O que se segue é um monstruoso zumbido laboratorial, espancado por um regimento de pedais de guitarrra, e uma secção rítmica que bloqueia os sentidos e o movimento…

O som dos Clockwork é viciado, um tumulto neurológico de uma nota só, em espelho quebrado…

As seitas religiosas aparecem assim, à custa deste hipnotismo. Cuidemo-nos. Se o discurso é ainda mais incoerente que o costume, a culpa é dos Clockwork. Um das temas é cantado, mas se não fosse não faria grande diferença, pais as válvulas jó sobreaqueceram hó muito…

Os Clockwork deviam ser estudados ao abrigo de um qualquer programa de análise da influência de certas frequências sonoras no comportamento do ser humano, ,Será que a suo música provoca lesões cerebrais, estados de euforia estática, ou desiquilíbrios hormonais? Uma abismal e monótona preciosidade…

Pronúncia do Norte “À Guitarra”

P.G.

Apesar da proximidade do fim-de-ano, ainda arranjámos tempo para nos deslocarmos ao Johnny Guitar para assistirmos ao último dos concertos marcados para o Festival Teenage Drool deste ano. Sexta-feira, véspera de fim-desemana prolongado e primeira de uma série de noites loucas para muita gente, poucas pessoas resolveram ir a Santos receber os Clockwork, grupo da Póvoa de Varzim que se estreava, à semelhança de todos os outros que por ali-passaram nas três semanas do festival, na sala do Johnny Guitar. Já tínhamos ouvido dizer que eram bons, mas como nestas coisas não se pode acreditar em ninguém, lá se rumou mais uma vez ao único clube de rock de Lisboa.

O cenário era, mais uma vez, impressionante. lembro-me que consegui contar o número de pessoas presentes, embora não me recorde dele agora. Lembro-me também que os Clockwork fizeram distribuir «flyers» pela assistência que chamavama atenção para um single do grupo que está à venda. Tenho pena de não saber onde pára esse «flyer» pois tinha pensado transcrevê-lo por inteiro nestas colunas, já que se tratava de um divertidíssimo texto sabre um novo, fantástico e surpreendente suporte paro edições discográficos, o vinil (!). Adiante.

Os Clockwork são, de facto, um projecto interessante, daqueles que motivam em qualquer pessoa a velha questão do «não fossem eles de onde são». Trata-se de um quarteto em que.tudo gira em torno do trabalho de guitarras, guitarras essas que se desenvolvem, no maior parte do tempo, no maior ruído circular a que já assistimos em bandas portuguesas, o que leva a pensar que o legião de admiradores do estilo Spacemen 3 tem aqui um representante esclarecido, eficiente e a merecer atenção especial.

Sem fazer qualquer ideia sobre a rodagem dos Clockwork por espectáculos ao vivo, fiquei com o sensação de que o grupo da Póvoa de Vorzim já tem um considerável trabalho de base que lhes permite investir no rock sónico hipnótico sem se tornarem particularmente irritantes paro quem assiste, até porque sabem ser acolhedores com as massas, mesmo que perante assistências da ordem das duas dezenas.

Os temos dos Clockwork, pelo menos os apresentados no Johnny Guitar na sexta-feira dia 29, transformam-se subrepticiamente em canções quando menos damos por isso. Ou talvez seja apenas a nossa percepção que se altera ao longo do desfile de temos, já que a coerência estética do grupo é ponto assente. Os Clockwork, sabêmo-lo, vão gravcr em breve o seu álbum de estreia, cujo produção vai ser entregue o Rafael Toral, experiente músico e manipulador de equipamento, nomeadamente quando aplica os seus conhecimentos a trabalhos que se servem da guitarra como meio de experimentação musical, mais do que elemento habitual nas áreas do pop e do rock. Ficamos à espero do resultado.

Clockwork

Jorge Manuel Lopes – BLITZ

Pronto, é assim: há bandas que seguem mesmo à risca aquela máxima do «deixar a música falar por si». É o caso dos Clockwork, eminentes construtores de muralhas de som ultra-saturado, repetitivo, obcecado e altamente eficaz…

Clockwork “Clockwork” – (CD Ed. Autor 1999)

9 Novembro 1999 – BLITZ

O segundo longa-duração do quinteto da Póvoa de Varzim é produzido por Rafael Tora! e representa uma clara progressão face ao álbum de estreia, também homónimo. O ambiente gera! é de acentuada depuração e aperfeiçoamento, onde o notório afastamento de qualquer tentativa de fazer canções é compensado pela construção de autênticos «loops» cada vez mais rigorosos e complexos, onde ao aumento das partículas sonoras em actividade corresponde um necessário incremento da subtileza.

Relojoaria Sónica

Rui Catalão – 7 Fevereiro 1996 – POP ROCK

… a longa peça de Chatam de um só acorde, “Guitar trio”, foi a escolhida para tocarem em colaboração com Toral, numa apresentação ao vivo em que pretendem igualmente estrear um novo tema próprio, de 25 minutos, intitulado “Sonic spaceman”.

Continuadores do rock sónico, na sua vertente mais instrumental, pela forma como os ternas se estendem em dissonâncias e desconstruções…