Saudade
Monday, January 3rd, 2011Fui ver a pele, a carne e os ossos daqueles de quem tenho saudades. Sem explicação, continuo com saudades daquilo que não toco, que não vejo e que não ouço… daquilo que vive dentro… e que levo comigo.
Fui ver a pele, a carne e os ossos daqueles de quem tenho saudades. Sem explicação, continuo com saudades daquilo que não toco, que não vejo e que não ouço… daquilo que vive dentro… e que levo comigo.
No referendo de hoje, o povo suíço foi questionado e respondeu, com uma maioria de 57.5%, “Sim” à proposição de modificar o artigo 72 da Constituição, adicionando a seguinte frase: “A construção de minaretes está proibida”.
Esta maioria suíça mostrou como a desconfiança, o medo e a ignorância, podem funcionar como motor para uma discriminação referendada mas sem sentido.

Nos meus 30 anos fugi, escusei-me com a triste idade e ofereci-me uns dias por Budapeste. Perdi-me em caminhadas pela cidade, prometendo ao corpo cansado um espírito saciado a goulash e vinho húngaro.
Em Buda, viajei à minha infância durante a visita à “Bartok’s Memorial House”, contente por viver mais do que a música, que toquei quando pequeno, deste grande compositor. Piano, curioso metrónomo de bolso, pena de 5 pontas, pautas originais… com um final de tarde de evasão no recital de Csaba Kiraly.
Bartok faz parte daquele grupo dos Imortais.
Estive uns dias na Catalunha, entre Lleida e Barcelona, a respirar os ares do tempo de Universidade e a revisitar os velhos amigos. É sempre muito especial e desta vez houve algo diferente, o Nacho convidou-me para um jogo de futebol, ou melhor, para “O Jogo de Futebol”, um Barcelona vs. Real Madrid.
Mais de 6 anos ali ao lado e nunca fui ao “Camp Nou”, não sou homem de futebol, mas sabia que este era o jogo ideal para estrear-me.
Na verdade, no meio de mais de 96.000 pessoas a viverem o espectáculo, senti-me romano no “Coliseu” num combate de gladiadores. O futebol é um fenómeno de primitivismos curiosos.
Utilizo o NetNewsWire no mac e no iphone. É impressionante o ritmo ao qual adiciono novos feeds, acumulando e acumulando artigos para ler. Várias vezes optei pela estratégia de “Mark all as read”, crédulo de que daí em diante poderia acompanhar correctamente o ritmo de leitura.
Hoje, consciente das minhas limitações, decidi fazer uma limpeza e apaguei todos os feeds “excessivos”.
Com dificuldade geri a ambivalência no abandono… de algo que mal segui.
É a única solução.
O site tem estado menos activo nestes últimos dias, tenho estado a trabalhar localmente com um único objectivo, simplificar ao máximo a minha actividade web.
Trabalho com Plone há mais de 3 anos e foi este CMS que me motivou a aprender Python. Foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora, passei horas no irc e nas mailing-lists desta comunidade genial, com gente sempre disponível a ajudar e a transmitir livremente os seus conhecimentos. Uma comunidade exemplo da filosofia de um projecto open source.
Diverti-me e aprendi muito, mas a minha vida tomou outro rumo.
Plone é complexo e um “elephantware” para o destino dado ao projecto thegoldenaura, tornando-se cada vez mais difícil realizar actualizações ou novas modificações ao site. Preciso de algo simples e que funcione “out-of-the-box” com áudio, vídeo, podcast, blog… sem ter que editar código. Como disse anteriormente, a minha vida tomou um rumo onde o tempo escasseia e onde tenho que focar e concentrar a minha acção.
O projecto é migrar o meu site plone para um outro sistema. Ainda não sei exactamente qual, tenho estado a ver o WordPress, TextPress, MovableType, Drupal… Tenho que tomar uma decisão, não vai ser fácil.
Um bom exercício de resistência à frustração.
Na sexta-feira acordei às 05:00 da manhã e às 06:00 estava à frente da loja Swisscom, que abria as portas às 06:30, para comprar um iphone 16GB preto… era o número 47 da fila e rapidamente anunciaram que só tinham 12 iphones de 16GB… abandonei a fila e dirigi-me a uma loja “Mobile Zone” onde também já não tinham o modelo para venda, segui então para uma loja “The Phone House” onde vi ser vendido o último iphone 16GB…
Restava-me uma última possibilidade, uma loja “Mobile Zone” num centro comercial em Marin (Neuchâtel) que abria as portas às 08:30. Dando já por perdida a causa, decidi continuar e lá fui. Quando pergunto à empregada da loja se ainda tinha algum iphone 3G 16GB preto, ela responde “Sim, e é o último…”. Senti uma momentânea recompensa pela persistência matinal.
Seguiu-se 1 hora, sendo visível o desconhecimento, por parte da simpática senhora, do procedimento de venda/activação iphone, com as fotocópias das “guidelines” enviadas pela Swisscom para os revendedores e sucessivos telefonemas para a hotline, etc. Era impossível activar o iphone, servidores sobrecarregados, experimentam um novo SIM card…
Volto mais tarde e a activação ainda não é possível, dizem-me que leve o iphone para casa e que o active com o meu iTunes. Escusado será dizer que não funcionou.
“The SIM card inserted in this iPhone does not appear to be supported. Only compatible SIM cards from a supported Carrier may be used to activate iPhone. Please insert the SIM card that came with your iPhone or visit a supported Carrier’s sotre to receive a replacement SIM card.”
Hoje, fiquei a saber que terei de esperar por um novo iphone, “… é o único cliente com este problema…”, mas não me sabem dizer quando vai chegar. Estão todos esgotados.
Esgotado estou eu, depois de ter resistido durante meses à tentação de comprar e hackear o primeiro iphone e ter esperado pelo lançamento da versão 3G, sinto a “recompensa” com o adiar do prazer de ter, finalmente, o meu iphone.